Foto: Amanda Perobelli/Reuters

As tantas definições e pontuações sobre o momento no Brasil, na América Latina e no mundo permanecem incompletas, embora o reducionismo seja uma característica predominante em grande parte das análises atuais. Andamos recorrendo à todos os instrumentos, inclusive quadraturas, transições planetárias, cristais, chacras e à boa e questionadora filosofia.

Em tempos da pós modernidade, da transição entre Eras, do lento ao contraditório ingresso à Era de Aquarius, mais parece que estamos regredindo. E dale regressão se tivermos como requisito básico  a educação do comum entre comuns. Seria uma inverdade estabelecer a regressão, onde se apresenta o verdadeiro aflorar das nossas contradições políticas, culturais, sociais e econômicas via crises cíclicas, estruturadas e estruturais. 

O poder e o acesso à ele e ao elo andam se desmanchando como uma nuvem dissipada. Os atores políticos da representação, comumente denominados de políticos “profissionais” e de forma incorreta, andam perdendo espaços nos corações e mentes dos seres políticos, ora cidadãos, ora eleitores, ora intermediários, ora coadjuvantes passivos desta peça eleitoral, dos votos em branco (sem preconceitos!), nulos e das abstenções ocasionais. Neste perde e ganha, passivo e potencialmente ativo, como mola, tensionada é que nos confrontamos com a ansiedade de construir o amanhã em bases mais humanas, respeitando o mundo animal e suas múltiplas manifestações de vida e em ambientes impactados por mãos menos humanas e mais financeiras, como se a cor verde de uma moeda, garantisse sobrevida à uma floresta queimada ou à um oceano plastificado.

Nesta conjugação de crises, econômica, identitária, social, ambiental aparece uma vez mais uma pandemia para colocar em isolamento aquelas mãos que andaram destruindo o planeta, a Terra mãe. Um isolamento forçado, sempre interrompido por outra entidade abstrata, mas poderosa, o Sr. Mercado sempre preocupado com o seu umbigo especulador, concentrador, exclusivo e precarizador de ambientes, já não tão cordiais. Por sinal, a elementar cordialidade protocolar anda perdida até em nosso Itamaraty.

Neste quadro de transversalidades obrigatórias é que surge mais um ano ou década, ou, ainda, século para refletirmos sobre o que ocorre em nossas comuns convivências com os seres vivos, vívidos para manifestar o bom convívio em todos os ambientes, até tecnológicos. 

Um feliz começo de ano novo reflexivo, sem compasso de espera por seringas ou agulhas e todas as vacinas do mundo!

Que possamos reconstruir a trilha das necessárias transformações…

Afinal o ano sempre começa em março, ainda que sem orçamento.

Sebastian Archer
Setorial de saúde do PT/RJ