Segundo especialista, ilha tem abelhas italianas, que são raras. A ideia é fazer melhoramento genético em outros locais do Brasil.

A ilha tem abelhas italianas consideras puras — Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo

Fernando de Noronha tem abelhas italianas consideradas puras. Os apicultores deram início a uma parceria para trocar experiências com especialistas e ampliar a produção. O trabalho também prevê o envio de matrizes para o continente, com objetivo de melhorar a genética em outras regiões do país. 

“A espécie existente em Noronha é rara no país. Na ilha, há um material genético que tem que ser desenvolvido. Com esse trabalho, faremos o melhoramento genético no Brasil”, explicou o apicultor Ricardo Hemsing, especialista que tem 46 anos de trabalho com abelhas em Uberlândia, em Minas Gerais. 

Hemsing informou que as abelhas italianas foram levadas para Noronha, em 1982, no período em que a ilha era administrada pelos militares. Na época, a ideia era manter a pureza. Há 38 anos, já se pensava em desenvolver apicultura e produzir abelhas puras para uso como matriz em outros locais do Brasil. 

O projeto atual prevê que, em dois meses, abelhas rainhas da ilha sejam enviadas para Minas Gerais. “Assim que estiver pronta a documentação, nós enviaremos as primeiras rainhas. Nós vamos levar a mãe fecundada com zangões de Noronha para o continente. As filhas dessas abelhas serão fecundadas por zangões africanizados”, disse Hemsing.

A ideia é levar a abelha rainha da ilha para melhorar a genética do continente — Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo

Segundo o especialista, no continente, serão produzidas abelhas híbridas, menos agressivas e que farão menos enxames. 

“Além disso, nós vamos ampliar o tamanho da abelha, que é melhor para fazer a polinização das plantas. O mel de Noronha é um dos melhores do mundo”, avaliou Hemsing. 

Treinamento

Durante uma semana, o apicultor mineiro realizou um treinamento com os produtores da ilha. Lídia Maria de Albuquerque produz mel em Fernando de Noronha, há 30 anos. Ela considerou importante a visita do especialista. 

“A apicultura está sempre em mudança. A visita do especialista nos ajudou na atualização das técnicas. Antes disso, eu já recebi orientações de Hemsing e a produção de mel aumentou”, revelou Lídia, que produz cerca de 300 litros de mel por ano.

Lídia Albuquerque produz 300 litros de mel por ano — Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo

A viagem do especialista para a ilha foi viabilizada pelo projeto Noronha Terra, que é a associação dos agricultores locais. 

“A gente sabe que só existe agricultura de qualidade se tiver a polinização. A abelha usa pólen da flor como alimento e melhora a produtividade agrícola”, afirmou a presidente do Noronha Terra, Lourdes Alves, que é bióloga. 

A presidente da associação deu início a um projeto-piloto para incentivar outros agricultores da ilha a produzir mel. “Quanto mais a gente divide o que é bom, mais a gente multiplica para todos”, disse Lourdes Alves.

Os apicultores de Noronha receberam um treinamento para ampliar a produção — Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo

Fonte: G1 Notícias