Parque Nacional do Jalapão, no Tocantins: banco afirma que leilões vão aliviar governos dos custos de conservação – Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo

O BNDES pretende estruturar até dezembro uma série de concessões de parques naturais à iniciativa privada. A entidade firmou contratos há menos de um mês com seis estados, a fim de oferecer suporte para concessão de 26 parques, com foco na exploração do turismo sustentável e preservação ambiental.

Entre os estados com parcerias já definidas estão Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Tocantins. Parques como Jalapão (TO), Ibitipoca (MG), Rio Doce (MG) e Dois Irmãos (PE) estão entre os destaques das unidades de conservação previstas.Veja fotos de parques naturais que estão na mira do BNDES para concessão

Cachoreira da Formiga, no Jalapão, Tocantins Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo
Cachoreira da Formiga, no Jalapão, Tocantins Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo
Cahoeira da Velha, no parque do Jalapão, Tocantins Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo
Cahoeira da Velha, no parque do Jalapão, Tocantins Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo
Janela do céu em Ibitipoca é um dos lugares mais concorridos para fotografar uma visita ao parque Foto: Evandro Rodney / Agência O Globo
Janela do céu em Ibitipoca é um dos lugares mais concorridos para fotografar uma visita ao parque Foto: Evandro Rodney / Agência O Globo
Parque Estadual do Ibitipoca, que fica na cidade de Lima Duarte, Minas Gerais Foto: Guilherme Leporace / Agência O Globo
Parque Estadual do Ibitipoca, que fica na cidade de Lima Duarte, Minas Gerais Foto: Guilherme Leporace / Agência O Globo
Parque do Cantão, em Tocantins, tem uma área definida de aproximadamente 90 mil hectares, entre os municípios de Caseara e Pium Foto: Divulgação
Parque do Cantão, em Tocantins, tem uma área definida de aproximadamente 90 mil hectares, entre os municípios de Caseara e Pium Foto: Divulgação
Parque do Cantão, em Tocantins Foto: Divulgação
Parque do Cantão, em Tocantins Foto: Divulgação

Outros três estados estão em tratativas e devem integrar a próxima rodada de concessões projetada pela entidade. A expectativa é que os primeiros leilões aconteçam no fim deste ano e o restante ao longo de 2022.

— A nossa ambição é mudar a realidade do setor de parques no Brasil. O país tem cerca de 450 unidades de conservação, mas hoje somente 18 têm concessionárias. Temos um grande potencial a ser desenvolvido nesse setor — aponta Pedro Bruno, superintendente de Governo e Relacionamento Institucional do BNDES.

De acordo com a entidade, o objetivo do programa de estruturação de concessões é apoiar os estados em todas as etapas dos projetos. Por isso, serão realizados diagnósticos socioambientais, elaboração de modelagens econômico-financeiras, desenho de planos de negócios e apoio à ida desses projetos ao mercado até a licitação.

Obrigação de conservar

Segundo o executivo, os prazos de concessão ainda dependem da modelagem, mas não se distanciam dos prazos já praticados em outras concessões do setor, com duração de vinte anos, como o Parque Nacional do Iguaçu, e trinta anos, como o Parque Aparados da Serra.

Vista do Parque Estadual de Ibitipoca, em Minas Gerais Foto: John Brandão / Divulgação
Vista do Parque Estadual de Ibitipoca, em Minas Gerais Foto: John Brandão / Divulgação

Além da contrapartida da preservação das unidades de conservação, a expectativa é que as parcerias com o setor privado aliviem os custos dos governos com a manutenção dos parques, estimulem o turismo sustentável e desenvolvam as economias locais.

— É um processo de ganho para todo mundo: ganha o usuário, que vai ter acesso a parques com melhores condições; ganha a nossa agenda ambiental porque a premissa básica da concessão é a conservação das unidades; ganham os estados que vão desonerar os cofres; e ganham os investidores que aderem à agenda com um retorno financeiro associado a uma pauta de impacto social.

Ele cita ainda que o mercado está aquecido e competitivo, vide a aquisição neste mês dos parques nacionais Aparados da Serra e Serra Geral, na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, pelo grupo Construcap, que administra o Parque Ibirapuera, em São Paulo.

— Temos um perfil natural de investidor que são os concessionários atuais dos parques já concedidos, mas há diversos players nacionais e internacionais do setor do turismo como grupos hoteleiros, empresas de ecoturismo, receptivos turísticos e até empresas dos setores de entretenimento e serviços.

Fiscalização

O progresso da agenda ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança) tem elevado o interesse de diferentes investidores financeiros em busca de retorno de reputação para suas marcas.

Bruno lembra que a fiscalização de infrações e crimes ambientais permanece sob responsabilidade dos órgãos públicos federal e estaduais. Já os modelos de negócios cabem aos concessionários e operadores interessados, que podem prever receitas de bilheteria e serviços associados como hotelaria e arvorismo.

— Conseguimos amarrar no contrato uma série de atribuições com bastante transparência que garantem para o usuário final uma percepção clara da melhoria do serviço — conclui.