O ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública Raul Jungmann (foto em destaque)disse, em entrevista à revista Veja publicada nessa sexta-feira (20/8), que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) determinou que jatos sobrevoassem o Supremo Tribunal Federal (STF) acima da velocidade do som para estourar os vidros do prédio.

Jungmann afirmou que os últimos comandantes do Exército Brasileiro (EB), da Marinha do Brasil (MB) e da Força Aérea Brasileira (FAB) decidiram deixar os cargos por respeito à Constituição Federal.

Os então titulares do Exército, general Edson Pujol; da Marinha, almirante Ilques Barbosa Junior; e da Aeronáutica, brigadeiro Antônio Carlos Moretti Bermudez, deixaram os postos em março deste ano, após se reuniram com o ex-ministro da Defesa general Fernando Azevedo e Silva, que também deixou o cargo.

“Ele [Bolsonaro] chamou um comandante militar e perguntou se os jatos Gripen estavam operacionais. Com a resposta positiva, determinou que sobrevoassem o STF acima da velocidade do som para estourar os vidros do prédio. Bolsonaro mandou fazer isso, tenho um depoimento em relação a isso. Ao confrontá-lo com o absurdo das ações desse tipo, eles foram demitidos”, disse Jungmann.

Jungmann também garantiu que as Forças Armadas não estão disponíveis para nenhuma aventura ou golpe, mas avaliou que o desfile de blindados da Marinha, no último dia 10, se tratou de uma “ameaça real ou simbólica”.

Hoje, o Exército é comandado pelo general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira; a Aeronáutica, pelo brigadeiro Carlos Almeida Baptista Júnior; e a Marinha, pelo almirante Almir Garnier Santos. Já o Ministério da Defesa tem como chefe o general Braga Netto, bastante alinhado ao presidente da República.

O pedido para sobrevoar e estourar os vidros do prédio do STF já havia sido detalhada pelo colunista Ricardo Noblat, do Metrópoles, no início deste mês. A ameaça teria sido recomendada no dia 26 de março.

“Foi uma conversa demorada. A certa altura, Bolsonaro passou a falar mal do Supremo Tribunal Federal que, segundo ele, cerceava a maioria de suas ações. Estava quase apoplético. Então teve uma ideia: por que um dos jatos supersônicos da FAB não dava um voo rasante sobre o prédio do Supremo na Praça dos Três Poderes? Isso aconteceu uma vez no passado por acidente”, relata o colunista.

Em julho de 2012, durante cerimônia da troca de bandeira na Praça dos Três Poderes, em Brasília, um rasante de caças Mirage F-2000 da FAB acidentalmente destruiu vidros do Palácio do STF.

“O general discordou da ideia e, alegando cansaço, marcou para retomar a conversa na segunda-feira, dia 29. Nesse dia, mal entrou no gabinete de Bolsonaro, ouviu dele que estava demitido”, prossegue Noblat, que, por fim, ressalta que a ideia do voo rasante sobre o prédio do Supremo foi arquivada, mas esquecida não.

Fonte: Metrópoles