Mesmo com todos os alertas científicos e ambientais, tem gente que se finge de morto e só se coça quando o assunto toca mesmo é no bolso. Para esses, fica a dica: as mudanças climáticas vão trazer prejuízos econômicos, e não serão poucos. E a inação custará mais do que agir agora rumo à transição para a sociedade de baixo carbono.

Não é a primeira vez que o relatório Global Risk Report 2022, elaborado para embasar os debates do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, aponta a crise climática como o maior risco de longo prazo para a economia global. Aliás, a questão climática também é apontada como o maior risco de curto prazo, no cenário de até dois anos, com a menção ao “clima extremo”. Para o médio e o longo prazos, no horizonte de até 10 anos, os líderes do capitalismo mundial apontam o temor ao risco de a humanidade fracassar nas ações de combate às mudanças climáticas, como ressalta a matéria publicada pelo Valor.

O alerta foi divulgado às vésperas do fórum de Davos deste ano, marcado para ocorrer entre os dias 17 e 21 de janeiro, na Suíça. O relatório é fruto de uma pesquisa realizada com mais de mil lideranças mundiais, representantes de empresas, governos e organizações globais. O trabalho foi desenvolvido em parceria entre a seguradora Zurich, a Marsh McLennan e as universidades de Oxford, Singapura e Pensilvânia.

Vale ressaltar que, entre os 287 líderes empresariais brasileiros entrevistados para o relatório, o risco climático aparece em quarto lugar. De modo geral, entre todos os participantes da pesquisa, além da crise climática, a pandemia, a desigualdade de acesso às vacinas, os ataques cibernéticos e a corrida espacial também foram apontados como riscos preocupantes.

O Observatório do Clima escreveu sobre o relatório e o lançamento do relatório repercutiu internacionalmente na Associated Press e na Bloomberg.

Em tempo: Eventos extremos já estão causando prejuízos históricos, de acordo com a Munich Re, a maior resseguradora do mundo. Foram US$ 120 bi (o equivalente a R$ 680,7 bilhões) de prejuízo às seguradoras só em 2021, considerado o segundo ano com maior custo provocado por eventos extremos, ficando atrás apenas de 2017, quando os custos dos danos às seguradoras chegaram a US$ 146 bi (R$ 828,2bi). Os EUA, com dezenas de tornados, além de nevascas e furacões ocorridos em 2021, foram um dos países mais afetados pelos prejuízos, segundo a Folha. As perdas totais, incluindo aquelas não cobertas por seguros, chegaram à marca de US$ 280 bilhões, ou seja, o equivalente a R$ 1,5 trilhão. Com o agravamento da crise climática, segundo os autores do último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), os eventos extremos serão ampliados em frequência e intensidade nos próximos anos, o que deverá agravar ainda mais os prejuízos e os estragos. Associated PressBloombergFinancial Times e Reuterstambém repercutiram o levantamento da Munich Re.

Fonte: Clima Info