Empresa inglesa aproveita mão de obra especializada no Brasil para desenvolver semicondutores que atendam à sua base global de clientes.

A multinacional inglesa EnSilica, que atua no segmento de semicondutores, anunciou a abertura de uma filial em Porto Alegre (RS). A ação foi montada com base em um time de funcionários experientes, liderado por Julio Leão – ex-funcionário da estatal Ceitec, que enfrenta um processo de liquidação atualmente.

Escassez de chips deve durar até 2022

Diferentemente da Ceitec, a EnSilica não produz seus próprios semicondutores – o grupo atua no projeto, validação e venda dos produtos, com fabricação terceirizada. Seu foco é em projetos de circuitos integrados para a indústria automotiva e para as áreas de saúde e consumo.

De acordo com Leão, o mercado de semicondutores carece de profissionais capacitados – o que não deve ser um problema na região devido ao corte de diversos funcionários da Ceitec. Hoje, a empresa conta com 160 colaboradores, mas de acordo com os planos do governo, apenas 48 devem ficar após a conclusão do processo de desestatização.

Em vez de procurar oportunidades em outros países, Julio e outros ex-Ceitec montaram um projeto e procuraram por players interessados em investir na mão de obra brasileira aqui mesmo – o que acabou chamando a atenção da EnSilica.

“Dada a crescente demanda global por novos projetos de semicondutores, a experiência do Julio e da equipe adquirida juntos na última década é um ativo realmente valioso para a EnSilica”, disse Ian Lankshear, CEO da empresa inglesa, ao Correio do Povo.

Filial da EnSilica começa a operar em julho

Com a chegada da EnSilica ao RS – que tem início das operações previsto para julho, em formato remoto, devido à pandemia –, a perspectiva é que as contratações aumentem significativamente. O centro de projetos deve ser inaugurado em outubro deste ano.

A companhia já tem 120 funcionários em seus escritórios de Oxford e em centros de projetos localizados no Reino Unido e na Índia; e também planeja estreitar laços com universidades locais, para oferecer estágios e desenvolver projetos em conjunto com alunos de mestrado e doutorado em microeletrônica.

Fonte: Tecnoblog