Cantor de 79 anos passa a ocupar a cadeira de número 20, antes pertencente ao acadêmico e jornalista Murilo Melo Filho.

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Gilberto Gil em apresentação musical na Alemanha, em 2019 Hannes Magerstaedt/Getty Images

Na tarde desta quinta-feira, 11, o cantor Gilberto Gil, de 79 anos, foi, enfim, condecorado com o título de imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), com 21 votos dos 34 votos. Novo ocupante da cadeira de número 20, Gil era um desejo antigo da Academia, que vem se aproximando do grande público nos últimos anos. No páreo estavam também o poeta Salgado Maranhão e o escritor Ricardo Daudt, com nenhum.

”Gilberto Gil traduz o diálogo entre a cultura erudita e a cultura popular. Poeta de um Brasil profundo e cosmopolita. Atento a todos os apelos e demandas de nosso povo. Nós o recebemos com afeto e alegria”, declarou o Presidente da ABL, Acadêmico Marco Lucchesi.

Nascido em Salvador, em 1942, Gilberto Gil iniciou sua carreira no acordeom ainda nos anos 50, inspirado por Luiz Gonzaga. Pouco depois, foi, ao lado de Caetano Veloso, um dos grandes expoentes da tropicália, se consolidando como um dos nomes mais consagrados da música popular brasileira. Seu prestígio fez com que ele fosse nomeado “Artista pela Paz”, da UNESCO, em 1999, assumisse o posto de Ministro da Cultura durante o governo Lula, entre 2003 e 2008. Para fazer parte da ABL, porém, o cantor tinha que ter ao menos um livro publicado — pré-requisito que cumpriu em 1996, com a publicação de Todas as Letras, obra que reúne mais de 470 canções de sua autoria.

Antes dele, o último ocupante da cadeira foi o acadêmico e jornalista Murilo Melo Filho, falecido no dia 27 de maio de 2020. Passaram por ela também Salvador de Mendonça (fundador), o patrono Joaquim Manuel de Macedo, Emílio de Meneses, Humberto de Campos, Múcio Leão e Aurélio de Lyra Tavares. Até o final do ano, a instituição ainda deve eleger novos ocupantes para as cadeiras de Alfredo Bosi (12ª), Marco Maciel (39ª) e Tarcísio Padilha (2ª), mortos este ano.

Fonte: Veja