O Inpe, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, era há décadas o responsável por essa tarefa. Responsabilidade agora é do Inmet.

Foto: Divulgação

O governo federal retirou do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, a atribuição de divulgar os dados sobre alertas de incêndios e queimadas em todo o País. O órgão, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, era responsável por divulgar diariamente dados técnicos sobre o avanço do fogo no território nacional, considerada uma ferramenta crucial no combate aos incêndios.

A atribuição agora cabe ao Instituto Nacional de Meteorologia, o Inmet, vinculado ao Ministério da Agricultura. A informação foi confirmada nesta segunda 12, durante uma reunião realizada pelo Ministério da Agricultura. O diretor do Inmet, Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, diz que a entidade vai monitorar queimadas por meio de um novo painel.

Segundo ele, a divulgação feita até hoje teria problemas de integração de dados. “É um problema que o Brasil enfrentava há décadas, na verdade há mais de 40 anos, a pulverização na divulgação de dados sobre incêndio e meteorologia.”

Em nota, o Ministério da Agricultura atribuiu a mudança ao fato de que “incêndios florestais e queimadas, que ocorrem normalmente de julho a setembro no Brasil central”, provocarem “grande impacto ao meio ambiente, ao agronegócio e à economia brasileira”.

A nova ferramenta possui um mapa de monitoramento que aponta para o índice de risco ou perigo de ocorrência de incêndios em determinada região, além de disponibilizar a informação para todos os Estados brasileiros, afirma o ministério. Além disso, o sistema também contribuiria para a redução das perdas na agricultura e para ações preventivas de combate a incêndios, garantindo que o produtor possa realizar sua gestão de riscos.

Desde que assumiu a presidência, Jair Bolsonaro queria alterar o sistema e a divulgação de informações.

Interferências no Inpe

Em 2020, o monitoramento do desmate feito pelo Inpe motivou uma crise no governo após o presidente e integrantes de sua equipe questionarem os dados medidos pelo órgão. Após a divulgação de mais um número negativo sobre a devastação da Amazônia, apontando que em junho o bioma registrou o maior número de alertas de desmatamento desde 2015,  Bolsonaro interferiu no órgão e exonerou a coordenadora-geral de Observação da Terra.

Outro caso que gerou conflito entre o presidente e o órgão ocorreu em 2019. Na época, ex-diretor do Inpe Ricardo Galvão se envolveu em um debate público com Jair Bolsonaro acerca dos dados de desmatamento da Amazônia. Bolsonaro contestou os dados que apontavam para um crescimento alarmante da destruição da floresta e afirmou que os números eram mentirosos e insinuou que Galvão estaria “a serviço de alguma ONG”. Após duas semanas de embates, Galvão foi exonerado.

Os dados produzidos pelo instituto, porém, continuaram mostrando mês a mês o aumento da devastação.

Essa situação gerou críticas internacionais ao Brasil na condução do combate ao desmatamento, ganhando ramos diplomáticos.

Fonte: Carta Capital