Tanqueiros de Minas suspenderam as atividades nesta quinta-feira; viaturas da polícia acompanham a manifestação em frente às distribuidoras.

Caminhões-tanque saem das distribuidoras com escolta da Polícia Militar. Mesmo assim, alguns tanqueiros estão com medo de abastecer seus veículos. Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

O abastecimento e a saída de caminhões-tanque das distribuidoras de combustíveis estão sendo acompanhados por viaturas da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), nesta quinta-feira (21/10), em Betim, na Grande BH.   Os tanqueiros, caminhoneiros responsáveis pelo transporte de combustível, suspenderam suas atividades na madrugada desta quinta-feira (21/10) , em protesto contra o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos combustíveis cobrado no estado e o alto preço do diesel praticado pela Petrobras. 

Segundo o Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustível e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sindtanque-MG), todas as transportadoras estão paradas, num total de cerca de 800 caminhões. O movimento também acontece nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. 

Centenas de manifestantes estão com caminhões-tanque parados nas portarias das principais distribuidoras de combustíveis, em Betim. A manifestação é acompanhada por viaturas da PMMG. 

A reportagem do Estado de Minas apurou que muitos tanqueiros estão com medo de abastecer os caminhões-tanque nas distribuidoras temendo retaliações, por parte dos manifestantes. Além disso, um deles contou que um áudio e uma foto tem circulado em um grupo da categoria no Whatsapp, com o relato de um caminhoneiro atingido por uma pedra que acertou o para-brisa do veículo. 

O caso teria ocorrido após o motorista ter abastecido o caminhão-tanque em uma distribuidora e receber escolta da polícia. 

Aeroportos

Em nota, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) esclareceu  que está fazendo “a escolta das carretas de combustíveis até pontos seguros e que Batalhão de Operações Especiais (BOPE) atua na escolta de combustíveis para os aeroportos”. “A PMMG esclarece ainda que com relação à segurança dos tanqueiros e ao abastecimento nos postos de combustíveis não há qualquer alteração até o presente momento”, diz a nota. 

Paralisação por tempo indeterminado e risco de desabastecimento 

“Nós não aguentamos mais as altas (nos preços) dos combustíveis. O óleo diesel representa hoje quase 70% do valor do frete. As transportadoras estão quebrando, transportadoras que são históricas no estado, não aguentam mais trabalhar. Pedimos a sensibilidade do governo, mas o governo não está se importando com essa categoria, que hoje carrega mais de um terço da economia do estado”, afirma o presidente do Sindtanque-MG, Irani Gomes.

De acordo com ele, a paralisação vai continuar até que o governo decida negociar com a categoria.  

Polícia fez escolta para abastecimento de caminhões-tanque em Betim, na Grande BHGladyston Rodrigues/EM/D.A. Press
Polícia fez escolta para abastecimento de caminhões-tanque em Betim, na Grande BH (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press )

Já o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro) divulgou nota pela manhã sobre a manifestação. A entidade informou que apoia os caminhoneiros e avalia que, se o movimento durar mais de 24 horas, pode haver desabastecimento de combustíveis em postos com estoques mais baixos.

Risco de desabastecimento

Em nova nota, no início da noite desta quinta, o Minaspetro admite o desabastecimento em postos do estado e alerta aos motoristas que não façam corrida aos postos, ampliando o risco de faltar combustível. 

“O Minaspetro está monitorando a situação da greve dos tanqueiros e informa que os postos com estoques reduzidos já apresentam problemas de abastecimento. Com a paralisação, todas as regiões do estado estão sendo prejudicadas, impactando fortemente o abastecimento de Minas Gerais, tendo em vista que a base de Betim é estratégica para a distribuição de combustíveis estadual.

“O Sindicato informa ainda que entrou em contato formalmente com o governo de Minas e solicitou que o pleito dos caminhoneiros fosse atendido. 

Segundo a nota, “uma das soluções apontadas para se abrir a negociação foi o congelamento do PMPF, base de cálculo para a incidência do ICMS, pleito do Minaspetro desde o início da pandemia. O congelamento do preço de pauta conteria momentaneamente a escalada dos preços na bomba”.

O Minaspetro alerta para que a população não faça uma corrida aos postos. segundo a nota, “é justamente essa ação que pode causar e agravar o desabastecimento”. “O Sindicato reitera que é solidário ao pleito dos caminhoneiros e tem trabalhado fortemente junto às autoridades em busca de soluções para a redução do ICMS, contudo, o Minaspetro acredita que a greve não é a melhor solução para o problema, uma vez que a paralisação prejudica a população e gera ainda mais incertezas no mercado de combustíveis já em crise nacional”, finaliza a nota.

Fonte: Estado de Minas