Filho primogênito da artista Tomie Ohtake, ele foi responsável por edifícios icônicos na capital paulista.

O arquiteto Ruy Ohtake lê suas revistas Senhor, compradas em um sebo, em uma poltrona na cobertura onde mora – Lalo de Almeida/Folhapress

Morreu na manhã deste sábado (27), aos 83 anos, o arquiteto paulistano Ruy Ohtake, que assinou obras como os hotéis Unique e Renaissance, além da sede do Instituto Tomie Ohtake, todos na capital paulista. Filho primogênito da artista nipo-brasileiraTomie Ohtake, ele tinha um câncer de medula.

A morte foi confirmada por seu irmão, Ricardo. “Para Ruy, arquitetura era uma obra construída. E ele deixou uma quantidade muito grande de obras como legado”, diz.

A empresária Marcy Junqueira, casada com Ricardo, lembra a dedicação de Ruy pela profissão. “Depois que a família almoçava junto aos domingos, deixávamos ele no escritório. Eu acho que ele tinha um amor pela arquitetura e foi o exemplo mais incrível que eu vi na minha vida” afirma.

Ohtake assina mais de 300 projetos no país que vão desde casas a parques, passando por prédios comerciais cheios de cores e espelhos que se destacam no horizonte —caso do hotel Renaissance, do hotel Unique e do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (Universidade de São Paulo) em 1960, ele desenvolveu sua obra a partir a escola paulista de Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha. E foi inspirado por Nyemeyer e Aleijadinho que Ohtake começou a usar de forma mais ousada curvas e cores —algo que a arquitetura paulista até então não usava muito.

Em 2019, em depoimento à Folha, Ruy desabafou ao dizer que achava que a população gostava muito dos seus trabalhos, mas os arquitetos, não.

“No começo, eu ficava preocupado porque a inteligência da arquitetura levantava polêmica. Há um establishment aqui, e eu dei um passo à frente. Todo rompimento no que está instalado gera polêmica com quem está na vanguarda, mas a arte e a arquitetura avançam em saltos”, afirmou o paulista.

“Hoje, acho que estou no caminho de contribuir com a arquitetura contemporânea brasileira. Em todas as minhas obras, me preocupo com a liberdade criativa, a surpresa e a inovação. Acho que meu desafio é dar continuidade à arquitetura do país, e não ficar estancado como ficamos em São Paulo.”

O velório será realizado neste sábado, em cerimônia aberta apenas para a família, e ele será cremado no Horto da Paz, também na capital paulista.

Fonte: Folha de S. Paulo