Ana Gabryele Moreira, de 29 anos é natural de Salvador (BA), mestranda na capital paulista, moradora da periferia e foi a primeira pessoa da família a ingressar  na universidade  pelo sistema de cotas.

Durante toda a minha graduação, dependi de auxílio permanência e moradia estudantil, como o Reuni. Sem todos esses auxílios não seria possível para mim permanecer na universidade”, relembra. 

Estudante de física médica na Universidade de São Paulo (USP), Ana Gabryele Moreira, seguirá o mestrado fora do país em 2022. Isso porque, após analisar a participação das mulheres na área nuclear do IPEN (área, praticamente toda, dominada por homens brancos) se tornou a primeira mulher PRETA brasileira a receber o Prêmio Marie Curie da Agência Internacional de Energia Atômica (de sigla IAEA, em inglês), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

“Desenvolvi uma pesquisa junto ao instituto e a WiN Brasil para entender o perfil sociocultural dessas mulheres. Foi perguntado cor, naturalidade, se são orientadas por homens ou mulheres, áreas que mais atuam, mulheres que são referências no instituto pra elas, se tem cargo de chefia”.

A pesquisa “Estudo do perfil sociocultural de mulheres que atuam em um instituto nuclear brasileiro”, foi produzida  por ela, Priscila Rodrigues, Karoline Suzart e Nelida Mastro.

Preta, periférica, cotista, Ana Gabryele  explica di-da-ti-ca-men-te a importância do sistema de cotas e dos auxílios financeiros: “Eu sou apenas uma dos milhares de jovens com origens e trajetórias semelhantes: periféricas e pretas, que precisam desta oportunidade e condições para poder sonhar com o que estou vivendo agora.”

Fonte: Cada Minuto