Um ex-fuzileiro naval recebeu autorização do governo britânico para retirar do Afeganistão dezenas de pessoas e centenas de animais do abrigo que mantinha em Cabul. O secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, anunciou nesta quarta-feira, 25, que vai permitir a retirada aérea de cães e gatos resgatados por Paul Farthing, que fretou um avião para salvar os animais. 

Enquanto milhares de cidadãos tentam fugir do país após a volta do Taleban ao poder, temendo um regresso aos seus métodos repressivos, a questão da retirada dos animais tem gerado debate há dias no Reino Unido

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Paul Farthing recebeu autorização do governo britânico para retirar 200 animais do Afeganistão. Foto: Reprodução/ Instagram

“Se ele chegar com os animais, encontraremos uma vaga para seu avião”, anunciou Wallace sobre Farthing, no Twitter. No dia anterior, porém, ele disse que não daria “prioridade aos animais sobre os homens, mulheres e crianças que batem à porta desesperadas”. 

O ex-soldado é fundador de uma instituição de caridade, a Nowzad Dogs, e quer salvar cerca de 140 cães e 60 gatos, bem como os seus empregados e os familiares afegãos. 

O governo britânico concedeu um visto a todos os funcionários da Nowzad e suas famílias, cerca de 68 pessoas no total, segundo Farthing anunciado na segunda-feira. 

Em seu site, a Nowzad se apresenta como uma instituição criada para “aliviar o sofrimento dos animais no Afeganistão, incluindo animais de companhia, equídeos de trabalho, cães e gatos vadios e abandonados e todos os outros animais que necessitam de cuidados e atenção, e para proporcionar e manter instalações de salvamento, reabilitação e educação para os cuidados e tratamento de tais animais que não têm outra voz a não ser a nossa.” 

Milhares de afegãos ainda estão à espera no aeroporto com as suas famílias para deixar o país num dos voos organizados pelos países do Ocidente. 

Os EUA já retiraram cerca de 70.700 pessoas desde 14 de agosto, um dia antes da queda de Cabul para os taleban. O Reino Unido já retirou mais de 10.200 pessoas.

Fonte: Estadão