Há cerca de duas décadas, o engenheiro florestal Virgílio Viana luta de forma incansável pela proteção da Amazônia e de seus povos tradicionais. Em 2018, criou a Fundação Amazônia Sustentável, da qual é superintendente geral, para intensificar seus esforços e desenvolver projetos de desenvolvimento sustentávelque transformam a vida de ribeirinhos e indígenas na região. Nessa trajetória, conquistou muitos aliados importantes, entre eles o Papa Francisco.

E foi, sem dúvida, essa trajetória que qualificou o pesquisador, PHD em Biologia pela Universidade de Harvard, a ocupar uma cadeira na Pontifícia Academia das Ciências Sociais (PACS). Viana foi nomeado pelo Papa Francisco em 3 de agosto e tornou-se o primeiro brasileiro a integrar essa entidade, que é uma das dez academias pontifícias do Vaticano, em Roma. A nomeação foi publicada oficialmente, no site do Vaticano, em 18 de outubro.

A PACS foi criada pelo Papa João Paulo II, em 1994, com o objetivo de promover “o progresso das ciências sociais, econômicas, políticas e jurídicas”, a partir de uma estrutura interdisciplinar. 

“De um lado, me sinto honrado e, de outro, muito desafiado diante da magnitude da responsabilidade da tarefa que vamos ter pela frente”, declarou Viana à Cenarium. “Espero, com essa nova oportunidade, contribuir também para que as atividades lideradas pelo Papa Francisco em prol da humanidade possam despertar um olhar atento sobre a Amazônia”. 

Porta-voz singular

Foto: FAS/Divulgação 

Desde que chegou ao Vaticano, o pontífice tem demonstrado sua preocupação com a proteção do meio ambiente global, com o aquecimento global e a desigualdade, em especial com a Amazônia e os povos originários. 

Por isso, escreveu a Encíclica Verde Laudato Si, sobre o Cuidado da Casa Comum, na qual critica o consumismo e o desenvolvimento irresponsável, fazendo um apelo pela união da humanidade no combate à devastação ambiental e pelo clima.

Agora, o papa tem em Viana uma voz singular e forte que ajudará o Vaticano a atuar de maneira mais efetiva pela floresta, debatendo e sugerindo estratégias de combate ao desmatamento e às queimadas e, consequentemente, ao aquecimento global.

destruição da Amazônia pede medidas urgentes. Só em setembro deste ano, o desmatamento aumentou 71% em relação ao mesmo período de 2020, de acordo com o Imazon. Em 2019, Viana declarou, em entrevista ao El País, que A Amazônia está à beira do abismo!, e estava certo. 

Então, é preciso correr, mas o pesquisador brasileiro poderá fazer um lindo trabalho de apoio ao bioma e de inovação e manutenção nos próximos 20 anos. Isto porque, de acordo com o estatuto da PACS, um membro ordinário pode atuar até os 80 anos de idade – Viana tem 60. Depois disso, caso seja escolhido pelo Conselho da Academia, pode ser nomeado como membro honorário.

Segundo ele, a dinâmica de trabalho na PACS envolve “pesquisa e análise de dados, reuniões anuais virtuais e presenciais, desde que a pandemia permita”, e ainda podem ser realizados eventos, sem frequência definida. 

Ameaças de morte

Vale lembrar que Virgílio Viana também preside a Comissão de Covid-19 da revista científica The Lancet. Também foi presidente da Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia (SBEE) e da Associação Paulista de Engenheiros Florestais (APAEF)

De 2002 a 2008, foi secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do estado do Amazonas, durante a gestão do governador Eduardo Braga, e se orgulha de ter criado, nesse período, “12 milhões de hectares de unidades de conservação e a reduzir o desmatamento em 66%”, o que provocou a ira de desmatadores – grileiros e madeireiros – e ameaças de morte.

Fonte: Conexão Planeta